Nasceu de um desejo...
(lourimar vieira)
TEATRO, essa palavra mágica que deu sentido a minha existência e que ao longo desses trinta anos que me dedico a esse ofício/sacerdócio, aprendi que a palavra “eu” deve sempre ser substituída pela
palavra“nós”. Como disse o mestre Constantin Stanislavski: “Teatro é uma das poucas atividades que só podem ser exercida em grupo”.
Mas terei que utilizar algumas vezes a palavra “eu” para contar esta história. Embora o “Kaos” tenha contado com a dedicação de muitas pessoas ao longo desses 14 anos de existência. Claro que sou o único da companhia que me dedico em tempo integral e por esse motivo acabo levando o mérito da maioria das conquistas, mas sem o Fabiano, Levi, Naiane e Douglas (as pessoas que estão à frente da companhia no momento), eu não seria nada. Embora eu tenha um trabalho muitas vezes solitário, senti-me seguro com eles ao meu lado.
Este é apenas o “Prologo” da história do “Teatro do Kaos”. Esta história começa em 1981, quando eu cursava a 6ª. Série na Escola João Ramalho, e fomos convidados para assistir no Bloco Cultural a peça “Can Can” que tinha no elenco Wanda Kosmo e André Loureiro. Foi à primeira peça que assisti. Neste dia decidi que era isso que queria para a minha vida. Nessa época em Cubatão, só existia o Grupo “Cotac” que anualmente encenava a “Paixão de Cristo”. Pois é em 1981, a convite de Lúcio Ialongo, fiz minha estreia no teatro como figurante na peça: “Paixão de Cristo”. Após esta apresentação que me encantou completamente, fiquei muito triste, pois tinha que esperar mais um ano para poder novamente vivenciar aquela magia. Logo depois, em maio/81, apareceu a oportunidade de fazer uma “Oficina de Teatro” na “Cadeia Velha” em Santos/SP, onde tive aulas com Roberto Marchese, Adna Cruz e Eliel Ferreira. Depois dessa oficina fiz algumas peças e em 1984 fui convidado por Eliel Ferreira para integrar o elenco da peça“A Aura da Minha Vida”. Em seguida fiz com direção de Eliel Ferreira as peças“Bailei na Curva” e “Filme Triste”. Espetáculos estes que marcaram a história do Teatro no Litoral Paulista. Ganhamos mais de 100 prêmios, inclusive o Festival Nacional de São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Tatuí e outros. Ganhamos o melhor da Baixada Santista, Melhor do Estado de São Paulo e com isso o direito de representar o Estado de São Paulo no Festival Nacional realizado pela “Confenata” em 1986 na cidade de Ouro Preto/MG. Estes espetáculos deram-me base para em 1986 em parceria com Luiz Carlos Gomes, fundar o “Grupo Teatral Magia da Cidade”. O “Magia da Cidade” é a semente do Teatro do Kaos. Em 1986 em Cubatão/SP, só existia o grupo “Cotac”. O “Magia da Cidade” começou com 37 jovens comandados por mim e pelo Luiz Carlos. Este grupo revelou muitos talentos que estão fazendo história até hoje. Desse grupo destaco o Ricardo Oliveira que foi meu parceiro em diversos trabalhos.
Em 1996 eu, Ricardo Oliveira e Marcelo Ariel, estávamos insatisfeitos com o teatro que fazíamos e resolvemos repensar nossas
carreiras e desse “repensar”, surgiu o Teatro do Kaos, que tem como sócio fundador: Lourimar, Ricardo e Marcelo. Antes disso fiz Faculdade de Artes Cênicas em Santos, que foi fundamental para entender o teatro como a melhor maneira de educar. No dia 11/01/1997, fundamos então o “Teatro do
Kaos”. Contratamos por R$ 2.500,00 Carlos Meceni para dirigir a peça “Caim’ de Lord Byron. Esta peça foi um divisor de águas na história das artes cênicas de Cubatão. Ganhamos mais de 100 prêmios.
Em 1998 encenamos “A Divina Comédia” de Dante, inspirada nas ilustrações de Gustave Doré e tendo como trilha sonora
as músicas de Franz Liszt, compostas especialmente para a obra de Dante (ganhamos diversos prêmios, inclusive de melhor espetáculo, eu ganhei como melhor ator (interpretei Dante) e melhor diretor.Ainda em 1998 tivemos a grata alegria de trabalhar com Carlos Alberto Soffedini.
Em 1999 foi a vez de Wilma de Souza dirigir o infantil “Trecos & Truques”. A ideia de ter nosso próprio espaço começou a ser
uma obstinação em minha mente. Procurei então o apoio do Manoel Alves Fernandes (Maneco de A tribuna), que nos incentivou a pleitear uma permissão de uso de um imóvel que estava em ruinas no Largo do Sapo em Cubatão. Protocolamos o pedido e fizemos tratativas sem sucesso
com o governo municipal da época.
Em 2001, assumiu a prefeitura o Dr. Clermont Silveira Castor, que nos deu permissão de Uso do Imóvel situado na Praça Coronel
Joaquim Montenegro, 34, no Largo do Sapo em Cubatão/SP. Esse imóvel estava em ruinas e com apenas uma foto, conseguirmos restaura-lo.
Em 2002, idealizei uma encenação ao Ar Livre intitulada “Caminhos da Independência”.
A primeira versão desta encenação aconteceu ao ar livre em arena montada para 2 mil pessoas em setembro de 2002 e contou com a
direção de Tanah Corrêa e a participação de Alexandre Borges como D. Pedro I. Além de idealizar e produzir a encenação também estive no elenco ao lado dos atores da companhia e dos convidados.
A primeira versão aconteceu graças ao apoio do prefeito Clermont e da Petrobras – Refinaria Presidente Bernardes. Levamos 4 mil pessoas em dois dias de apresentações.
A encenação foi outro divisor de águas na história das artes cênicas cubatense. Recebemos diversas homenagens e uma Moção de
Aplauso da Câmara Municipal de Cubatão. A Lei 2848/03 de autoria do vereador João das Graças Pereira, incluiu a encenação no calendário oficial da cidade, como parte das comemorações da Semana da Pátria.
Em 2003, repetimos a equipe: Direção do Tanah e Alexandre Borges como D. Pedro.
Em 2004 a direção ficou a cargo de Carlos Meceni e tivemos a participação de Nuno Leal Maia (D. Pedro) e Raymundo de Souza (Couto).
Ao longo dos anos a encenação foi dirigida também por Chico de Assis e Amauri Alves e contou com a participação dos atores: Alexandre Barillari, Daniel Saulo, Marco Antonio Gimenez, Gustavo Leão, Carlos Casagrande, Júlio Rocha, Monique Alfradique, Vitor Branco e Gabriel Braga Nunes.
Até 2005 a encenação aconteceu ao ar livre. No final de 2005 com o apoio do prefeito Clermont, conseguimos uma doação de R$
30.000,00 do Banespa/Santander e compramos um “Circo”, que passou a ser nosso local de ensaios, cursos e apresentações.
A encenação aconteceu dentro do circo em 2006 e 2007. Em 2008 o circo foi totalmente destruído por um vendaval e em 3 meses construímos um teatro com 150 lugares. Esse teatro foi construído graças ao apoio do prefeito Clermont, tanto que fizemos uma homenagem a ele colocando na sala o nome de sua mãe: Celina Castor. Em Cubatão o único teatro existente é o nosso.
Não posemos deixar de falar da peça “A flor do Mangue” que estreou em 2000 e onde interpreto meu grande mestre Afonso Schmidt e
de “O Sonho de Uma Noite de Verão” ambas dirigidas por Carlos Meceni e que fizeram temporadas na capital paulista respectivamente nos Teatros Plinio Marcos e Ruth Escobar.
Em 2009 assumiu a prefeita Marcia Rosa, que assistiu a encenação dentro do Teatro e que nos incentivou a voltar a fazer a encenação ao ar livre. Graças ao incentivo e apoio da prefeita Marcia Rosa em 2010 a encenação voltou a acontecer ao ar livre e passou a ser apresentada na Av. Beira Mar no Jardim Casqueiro. Em 2010, com direção de Amauri Alves, levamos 8 mil pessoas.
Em 2011 também com a direção de Amauri Alves, a história da passagem de D. Pedro por Cubatão foi contada em formato de musical e
batemos um recorde de público: 13 mil pessoas em quatro dias de apresentações. Não podemos deixar de citar na história do Teatro do Kaos a importância do patrocínio da Petrobras e da Usiminas.
Em 2010 participamos de Seleção de Pública de Projetos do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Concorremos com
5.183 projetos de todo o Brasil e o nosso “Projeto Superação”,foi um dos 113 contemplados. O Projeto Superação está Qualificando Profissionalmente 30 Jovens Atores, que a partir de 2012 irão circular por 5 estados Brasileiros com dois espetáculos. A circulação será possível graças ao Micro Ônibus Zero km, adquirido com recursos do projeto. Após a Qualificação Profissional os Jovens Atores irão ministras Oficina de Iniciação Teatral para 400 crianças/adolescentes de Rede Municipal de Ensino de Cubatão. Ao término das Oficinas vão encenar 20 espetáculos. Isso é só um ensaio do primeiro ato de nossa história... Meu sonho é infinito! O segredo? Focar o objetivo, amar e fazer disso a razão de sua existência... O resto o universo se encarrega de fazer!
palavra“nós”. Como disse o mestre Constantin Stanislavski: “Teatro é uma das poucas atividades que só podem ser exercida em grupo”.
Mas terei que utilizar algumas vezes a palavra “eu” para contar esta história. Embora o “Kaos” tenha contado com a dedicação de muitas pessoas ao longo desses 14 anos de existência. Claro que sou o único da companhia que me dedico em tempo integral e por esse motivo acabo levando o mérito da maioria das conquistas, mas sem o Fabiano, Levi, Naiane e Douglas (as pessoas que estão à frente da companhia no momento), eu não seria nada. Embora eu tenha um trabalho muitas vezes solitário, senti-me seguro com eles ao meu lado.
Este é apenas o “Prologo” da história do “Teatro do Kaos”. Esta história começa em 1981, quando eu cursava a 6ª. Série na Escola João Ramalho, e fomos convidados para assistir no Bloco Cultural a peça “Can Can” que tinha no elenco Wanda Kosmo e André Loureiro. Foi à primeira peça que assisti. Neste dia decidi que era isso que queria para a minha vida. Nessa época em Cubatão, só existia o Grupo “Cotac” que anualmente encenava a “Paixão de Cristo”. Pois é em 1981, a convite de Lúcio Ialongo, fiz minha estreia no teatro como figurante na peça: “Paixão de Cristo”. Após esta apresentação que me encantou completamente, fiquei muito triste, pois tinha que esperar mais um ano para poder novamente vivenciar aquela magia. Logo depois, em maio/81, apareceu a oportunidade de fazer uma “Oficina de Teatro” na “Cadeia Velha” em Santos/SP, onde tive aulas com Roberto Marchese, Adna Cruz e Eliel Ferreira. Depois dessa oficina fiz algumas peças e em 1984 fui convidado por Eliel Ferreira para integrar o elenco da peça“A Aura da Minha Vida”. Em seguida fiz com direção de Eliel Ferreira as peças“Bailei na Curva” e “Filme Triste”. Espetáculos estes que marcaram a história do Teatro no Litoral Paulista. Ganhamos mais de 100 prêmios, inclusive o Festival Nacional de São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Tatuí e outros. Ganhamos o melhor da Baixada Santista, Melhor do Estado de São Paulo e com isso o direito de representar o Estado de São Paulo no Festival Nacional realizado pela “Confenata” em 1986 na cidade de Ouro Preto/MG. Estes espetáculos deram-me base para em 1986 em parceria com Luiz Carlos Gomes, fundar o “Grupo Teatral Magia da Cidade”. O “Magia da Cidade” é a semente do Teatro do Kaos. Em 1986 em Cubatão/SP, só existia o grupo “Cotac”. O “Magia da Cidade” começou com 37 jovens comandados por mim e pelo Luiz Carlos. Este grupo revelou muitos talentos que estão fazendo história até hoje. Desse grupo destaco o Ricardo Oliveira que foi meu parceiro em diversos trabalhos.
Em 1996 eu, Ricardo Oliveira e Marcelo Ariel, estávamos insatisfeitos com o teatro que fazíamos e resolvemos repensar nossas
carreiras e desse “repensar”, surgiu o Teatro do Kaos, que tem como sócio fundador: Lourimar, Ricardo e Marcelo. Antes disso fiz Faculdade de Artes Cênicas em Santos, que foi fundamental para entender o teatro como a melhor maneira de educar. No dia 11/01/1997, fundamos então o “Teatro do
Kaos”. Contratamos por R$ 2.500,00 Carlos Meceni para dirigir a peça “Caim’ de Lord Byron. Esta peça foi um divisor de águas na história das artes cênicas de Cubatão. Ganhamos mais de 100 prêmios.
Em 1998 encenamos “A Divina Comédia” de Dante, inspirada nas ilustrações de Gustave Doré e tendo como trilha sonora
as músicas de Franz Liszt, compostas especialmente para a obra de Dante (ganhamos diversos prêmios, inclusive de melhor espetáculo, eu ganhei como melhor ator (interpretei Dante) e melhor diretor.Ainda em 1998 tivemos a grata alegria de trabalhar com Carlos Alberto Soffedini.
Em 1999 foi a vez de Wilma de Souza dirigir o infantil “Trecos & Truques”. A ideia de ter nosso próprio espaço começou a ser
uma obstinação em minha mente. Procurei então o apoio do Manoel Alves Fernandes (Maneco de A tribuna), que nos incentivou a pleitear uma permissão de uso de um imóvel que estava em ruinas no Largo do Sapo em Cubatão. Protocolamos o pedido e fizemos tratativas sem sucesso
com o governo municipal da época.
Em 2001, assumiu a prefeitura o Dr. Clermont Silveira Castor, que nos deu permissão de Uso do Imóvel situado na Praça Coronel
Joaquim Montenegro, 34, no Largo do Sapo em Cubatão/SP. Esse imóvel estava em ruinas e com apenas uma foto, conseguirmos restaura-lo.
Em 2002, idealizei uma encenação ao Ar Livre intitulada “Caminhos da Independência”.
A primeira versão desta encenação aconteceu ao ar livre em arena montada para 2 mil pessoas em setembro de 2002 e contou com a
direção de Tanah Corrêa e a participação de Alexandre Borges como D. Pedro I. Além de idealizar e produzir a encenação também estive no elenco ao lado dos atores da companhia e dos convidados.
A primeira versão aconteceu graças ao apoio do prefeito Clermont e da Petrobras – Refinaria Presidente Bernardes. Levamos 4 mil pessoas em dois dias de apresentações.
A encenação foi outro divisor de águas na história das artes cênicas cubatense. Recebemos diversas homenagens e uma Moção de
Aplauso da Câmara Municipal de Cubatão. A Lei 2848/03 de autoria do vereador João das Graças Pereira, incluiu a encenação no calendário oficial da cidade, como parte das comemorações da Semana da Pátria.
Em 2003, repetimos a equipe: Direção do Tanah e Alexandre Borges como D. Pedro.
Em 2004 a direção ficou a cargo de Carlos Meceni e tivemos a participação de Nuno Leal Maia (D. Pedro) e Raymundo de Souza (Couto).
Ao longo dos anos a encenação foi dirigida também por Chico de Assis e Amauri Alves e contou com a participação dos atores: Alexandre Barillari, Daniel Saulo, Marco Antonio Gimenez, Gustavo Leão, Carlos Casagrande, Júlio Rocha, Monique Alfradique, Vitor Branco e Gabriel Braga Nunes.
Até 2005 a encenação aconteceu ao ar livre. No final de 2005 com o apoio do prefeito Clermont, conseguimos uma doação de R$
30.000,00 do Banespa/Santander e compramos um “Circo”, que passou a ser nosso local de ensaios, cursos e apresentações.
A encenação aconteceu dentro do circo em 2006 e 2007. Em 2008 o circo foi totalmente destruído por um vendaval e em 3 meses construímos um teatro com 150 lugares. Esse teatro foi construído graças ao apoio do prefeito Clermont, tanto que fizemos uma homenagem a ele colocando na sala o nome de sua mãe: Celina Castor. Em Cubatão o único teatro existente é o nosso.
Não posemos deixar de falar da peça “A flor do Mangue” que estreou em 2000 e onde interpreto meu grande mestre Afonso Schmidt e
de “O Sonho de Uma Noite de Verão” ambas dirigidas por Carlos Meceni e que fizeram temporadas na capital paulista respectivamente nos Teatros Plinio Marcos e Ruth Escobar.
Em 2009 assumiu a prefeita Marcia Rosa, que assistiu a encenação dentro do Teatro e que nos incentivou a voltar a fazer a encenação ao ar livre. Graças ao incentivo e apoio da prefeita Marcia Rosa em 2010 a encenação voltou a acontecer ao ar livre e passou a ser apresentada na Av. Beira Mar no Jardim Casqueiro. Em 2010, com direção de Amauri Alves, levamos 8 mil pessoas.
Em 2011 também com a direção de Amauri Alves, a história da passagem de D. Pedro por Cubatão foi contada em formato de musical e
batemos um recorde de público: 13 mil pessoas em quatro dias de apresentações. Não podemos deixar de citar na história do Teatro do Kaos a importância do patrocínio da Petrobras e da Usiminas.
Em 2010 participamos de Seleção de Pública de Projetos do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Concorremos com
5.183 projetos de todo o Brasil e o nosso “Projeto Superação”,foi um dos 113 contemplados. O Projeto Superação está Qualificando Profissionalmente 30 Jovens Atores, que a partir de 2012 irão circular por 5 estados Brasileiros com dois espetáculos. A circulação será possível graças ao Micro Ônibus Zero km, adquirido com recursos do projeto. Após a Qualificação Profissional os Jovens Atores irão ministras Oficina de Iniciação Teatral para 400 crianças/adolescentes de Rede Municipal de Ensino de Cubatão. Ao término das Oficinas vão encenar 20 espetáculos. Isso é só um ensaio do primeiro ato de nossa história... Meu sonho é infinito! O segredo? Focar o objetivo, amar e fazer disso a razão de sua existência... O resto o universo se encarrega de fazer!
Cubatão, 13/10/2011 - 03h46min
Lourimar Vieira.